E as suas faces são os dois lados de um mesmo
rosto: e são iguais as suas vestes, e as mesmas as suas palavras.
E isso acontece porque assim o quer o homem,
que muitas vezes prefere aceitar as mentiras que envaidecem, às verdades que o
desagradam.
Conta-se que houve um dia em que dois amigos
viajavam juntos pelas estradas de suas vidas, e encontraram a Verdade e a
Mentira; e com elas seguiram a conversar.
Mas a Verdade e a Mentira são como o Céu e a
Terra, que embora pareçam tocar-se no horizonte não conseguem caminhar juntos.
Assim, logo se separaram; e cada uma conversava
com um dos viajantes.
E, como os homens conversam sempre sobre os
mesmos assuntos, ambos falaram sobre si próprios. Contaram da sua sabedoria, das
suas qualidades, dos seus sonhos e projetos.
A Mentira ouviu, embevecida. E animou o
interlocutor que lhe coube; gabou a sua sabedoria, as suas qualidades. Discorreu
sobre a grandiosidade dos seus sonhos, o acerto dos seus projetos.
E a Verdade, depois de ouvir, buscou as
palavras mais doces para não ofender quem lhe falava. Com elas procurou mostrar
as suas qualidades
e defeitos, os erros e os acertos de seus projetos; dimensionar os seus sonhos.
e defeitos, os erros e os acertos de seus projetos; dimensionar os seus sonhos.
Pois são estas as diferenças entre a Mentira e
a Verdade: uma acalenta, a outra desperta; uma oferece a glória, a outra a luta.
Uma faz sonhar, a outra ensina como realizar os sonhos.
Assim, caminharam os quatro. E, enquanto um
ouviu apenas o que queria ouvir, o outro ouviu aquilo que precisava ouvir.
Enfim, chegaram ao ponto em que se separavam as
estradas. E os dois amigos despediram-se das duas irmãs, e voltaram a seguir os
seus caminhos.
Então, disse o que conversara com a Mentira:
- Acabo de conversar com a Verdade.
E o outro, o que conversara com a Verdade:
- Foste feliz. A mim, coube a Mentira.


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